segunda-feira, 2 de junho de 2014

Por que pode ser tão difícil emagrecer?


                                                                                                                                imagem Google   
Quem está acima do peso ideal e, por inúmeras vezes, aderiu a dietas e medicamentos diferentes, porém sem resultados satisfatórios, sabe que deve existir algo além de restringir calorias e ter força de vontade para conseguir perder os quilos indesejados. A dificuldade pode acontecer por motivos fisiológicos ou psicológicos. 

É sabido que quando se ingere mais energia do que se gasta durante certo período de tempo, há um acúmulo de gordura no organismo. As calorias excedentes são armazenadas nas células adiposas em forma de triglicerídeos. Para serem capazes de armazenar todas as calorias excedentes, as células adiposas precisam se multiplicar ou aumentar de tamanho.                                                                                                                                                                                                                                                                                          

Desde o início da vida a até pouco antes dos vinte anos de idade, as células adiposas aumentam naturalmente em quantidade, porém na criança que sofre de obesidade ela aumenta em número maior do que o normal e também aumenta em volume. Este tipo de obesidade é chamada de primária.

Quem sofre de obesidade primária terá maior dificuldade de emagrecer, pois é comprovado que se consegue reduzir peso apenas reduzindo o volume dos adipócitos, mas é impossível diminuir o número de células adiposas do corpo. Sendo assim, o obeso desde a infância pode perder peso, mas acaba por recuperá-lo, pois as células adiposas em excesso desejam recuperar-se e enviam ao hipotálamo mensagens para que este estimule o aumento da ingestão de comida. Já, quem começou a engordar na idade adulta, sofreu apenas o aumento no tamanho dos adipócitos e, fisiologicamente, apresenta maior facilidade em emagrecer e manter o peso. Todavia, mesmo os obesos secundários, podem sofrer diversas influências psicológicas e lutarem, sem vitória contra a balança.

Em nossa cultura, o significado da comida ultrapassa os de atendimento às necessidades de sobrevivência e nutrição do corpo. Comemos para celebrar as alegrias, ou ainda comemos quando estamos tristes para “esquecer” as dores. Que criança nunca deixou de chorar após ganhar um docinho? A comida anda de mãos dadas com o afeto. Por conta dessa conotação afetiva, muitas vezes comemos não por fome – impulso fisiológico –, e sim por apetite – o qual é fortemente influenciado pelo nosso estado emocional.  

Em diversas pessoas, a comida preenche necessidades emocionais, “resolve” conflitos da vida ou atua como recompensa a tensões emocionais. Isso pode começar desde o berço, quando a mãe interpreta todo choro do bebê como decorrência de fome e lhe oferece o alimento como consolo. Como resultado, a criança aprende a sanar suas sensações desconfortáveis com comida. Interessante observar que, quando a comida adquire funções afetivas, a pessoa excede – na maioria dos casos – em carboidratos e não em proteínas. É uma maneira de colocar mais doçura em uma vida amarga.  

A ingestão de carboidratos torna o processo do emagrecimento mais árduo, não só pela quantidade elevada de calorias, mas pelo próprio processo metabólico dos açúcares. 

O nível de açúcar no sangue deve ser mantido estável porque a glicose é essencial para fornecer energia ao cérebro. Quando a taxa de açúcar no sangue fica abaixo do nível normal, o hipotálamo recebe esta mensagem e estimula a ingestão de comida para recuperar o nível habitual. A baixa taxa de açúcar causa fadiga, depressão, irritabilidade, tontura, dor de cabeça, desmaios e confusão mental. A ingestão do carboidrato aumenta a energia do organismo e reverte muitos desses sintomas, todavia de forma temporária. Se a ingestão alimentar for de grande quantidade de carboidratos, o sangue enche-se de açúcar e liberará grande a quantidade de insulina – hormônio responsável por “transportar” a glicose para as células do corpo – para tentar manter seu nível normal. Porém, com a “saída” de grande quantidade de açúcar do sangue para as células, o nível de glicose sanguínea cai abaixo da curva normal resultando em maior desejo de consumir açúcar. Portanto, quanto maior a ingestão de açúcar, menor o nível de açúcar no sangue, e maior o desejo de consumir açúcar ... e assim por diante, num ciclo repetitivo.Não só a ingestão do carboidrato resulta em baixo grau de açúcar no sangue. A produção de adrenalina também tem este efeito, pois eleva o nível de açúcar no sangue. A adrenalina é produzida quando nos encontramos sob pressão, sob stress, na dor e na emoção profunda. A resultante baixa de açúcar gerada por tais sentimentos termina por impulsionar a ingestão de comida e bebida para obter energia, conforto, descanso e alívio para os temores, raiva e tensões.Visto tamanha complexidade que rege o metabolismo do organismo humano e as devidas influências de ordem fisiológica ou psicológica, emagrecer, definitivamente, vai além de possuir força de vontade para “fechar a boca”. Quando os motivos da alimentação esbarram no âmbito psíquico, o profissional psicólogo pode auxiliar no processo de emagrecimento. Não descartando a importância de se ter consciência do que se come, como se come e quanto se come, quem deseja eliminar alguns quilos de seu corpo para viver mais saudavelmente, deve também dar importância ao conhecimento do porquê se come. 

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